Página Inicial / Aconteceu/ Ultima hora / Desabamento no Rio de Janeiro deixa duas pessoas mortas

Desabamento no Rio de Janeiro deixa duas pessoas mortas

Tragédia com dois prédios em comunidade na Muzema ocorreu na manhã desta sexta, dia 12.

Bombeiros realizam trabalhos de resgate no local; segundo a prefeitura, construções eram irregulares e tiveram as obras interditadas em novembro de 2018Duas pessoas morrem em desabamento de dois prédios no Rio

RIO – Pelo menos duas pessoas morreram, um homem e uma criança,  e outras sete ficaram feridas após o desabamento nesta sexta-feira, 12,  de dois edifícios residenciais na comunidade da Muzema, na zona oeste do Rio de Janeiro. Segundo a prefeitura do Rio, as construções eram irregulares e tiveram as obras interditadas em novembro de 2018.

Corpo de Bombeiros trabalha nos escombros com uma lista de 17 nomes de pessoas que estariam desaparecidas. Eles isolaram a área da tragédia porque outros prédios do entorno estariam em risco iminente de desmoronamento. Cães farejadores já estão no local.

Três feridos foram socorridos por moradores e outros quatro, pelo Corpo de Bombeiros, alguns com o auxílio do helicóptero da corporação.

De acordo com a Secretaria Municipal da Saúde do Rio, três pacientes foram encaminhados ao Hospital Municipal Lourenço Jorge: uma mulher de 35 anos com trauma de abdômen está em cirurgia; um homem de 41 anos teve escoriações na cabeça e está em observação e outro homem, de 38 anos, teve escoriações pelo corpo e passa por avaliação e exames. Não há informações sobre o estado de saúde dos demais feridos.

Os bombeiros chegaram ao local às 7h20 e iniciaram os trabalhos de resgate. A corporação informou que foi acionada por volta das 6h40 para uma ocorrência de desabamento na Estrada de Jacarepaguá, no bairro de Itanhangá

O prefeito do Rio, Marcelo Crivella, está no local em que dois prédios desabaram. Ele acompanha as buscas por sobreviventes junto com as equipes do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil.

Ao chegar ao local, por volta das 8h30 da manhã, duas horas depois do desabamento, o prefeito foi vaiado pela população que se aglomera na rua a espera de notícias sobre os moradores dos prédios. 

Relatos 

Juliana Carvalho Moura, que mora na casa em frente aos dois prédios que desabaram, contou que uma moradora do primeiro andar de uma das construções chegou a gritar para tentar alertar os vizinhos do desmoronamento iminente. 

“Eram umas 6h30, e dava pra ouvir muitos estalos, barulho, e a mulher começou a gritar ‘tá caindo, tá caindo, sai, vai cair’. Achei que era a ribanceira que tava caindo, mas era o prédio”, contou. 

Segundo Juliana, quando ela saiu de casa e chegou na rua, os dois prédios já tinham desabado. “Era uma novem branca de poeira, enorme, não dava pra enxergar nada”, disse. 

Segundo ela, algumas pessoas podem ter conseguido escapar do desabamento saindo dos prédios por trás, pela mata.

O porteiro José Carlos de Souza, de 49 anos, sua mulher e sua filha de 12 anos escaparam do desabamento dos prédios porque resolveram passar a noite em Ipanema, no prédio onde ele trabalha. 

“A gente resolveu ficar por lá porque aqui tava tudo com muita lama desde a tempestade”, explicou Souza, que comprou o apartamento por R$ 60 mil para poder sair da Rocinha, onde morava, muito afetada pela violência.

Ele contou que comprou o imóvel ainda na construção e se mudou há três meses.

“Mas eu tive sorte, muita sorte. Melhor que ter ganhado um prêmio. Porque a minha família estava comigo. O prêmio maior é a vida, né?”, afirmou.

“De perda material foi tudo, praticamente tudo. Saí da Rocinha por causa da violência, vim para cá achando que era melhor. A gente vê o prédio pronto, bonito, mas não sabe como é a estrutura.”

 

 

Milícias

A comunidade da Muzema é uma área sob o domínio de milícias, grupos paramilitares formados por PMs, militares, agentes penitenciários, civis, que exploram ilegalmente vários negócios. Um dos mais conhecidos seria o da construção irregular. 

A prefeitura do Rio de Janeiro, que espera divulgar nas próximas horas um balanço inicial sobre vítimas e danos materiais, comunicou que cerca de 60 edifícios da região foram construídos de maneira “irregular” em zonas de “alto risco de desmoronamento”.

Os apartamentos nos prédios irregulares construídos e comercializados por milicianos são vendidos a preços abaixo do mercado. Unidades de dois quartos, com garagem, estavam sendo vendidos por valores que iam de R$ 40 mil  a R$ 100 mil. 

Moradores contam que sabiam que os imóveis eram irregulares mas que comprá-los era a forma encontrada para conseguir ter um lugar para morar.

O Complexo da Muzema é formado por duas comunidades, a do Cambalacho e a da Muzema. De acordo com o Instituto Pereira Passos (IPP), moram na favela da Muzema pelo menos 4 mil pessoas em 1.528 domicílios.

Os números, no entanto, são do Censo de 2010. Com a expansão da milícia e as construções irregulares, a expectativa é de que a população seja atualmente muito maior. A área ocupada pela comunidade é de 90 mil metros quadrados,  segundo registro de 2018.

8h36 – ATUALIZAÇÃO | ITANHANGÁ: Equipes da Defesa Civil, Bombeiros, Guarda Municipal e Polícia Militar atuam no local. Light e Cedae foram acionados.

Estrada de Jacarepaguá segue com bloqueios na altura da Muzema.

Segundo o Centro de Operações da Prefeitura do Rio, a Estrada de Jacarepaguá está interditada no momento. 

Embedded video

A comunidade da Muzema foi uma das áreas atingidas pelo temporal que caiu no Rio no início desta semana. Na segunda-feira, 8, a chuva que caiu na cidade provocou a morte de dez pessoas, inundou casas, derrubou árvores e destruiu casas e carros em vários bairros. /  Roberta Jansen, Márcio Dolzan, Jéssica Otoboni, Ana Paula Niederauer e Paula Felix.

Fonte.: Estadão    

Sobre admin

Veja também

Daniel Alves marca, mas PSG leva virada do Nantes e tem título adiado outra vez

Pela terceira vez, equipe de Paris tem a chance de ser campeã com apenas uma …

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *